Maratona ibérica - Mário Fernando

segunda-feira, 23 de abril de 2012


Um sábado com direito a maratona de futebol, entre Portugal e Espanha. Do brilho de Hulk e Nolito, até ao duelo que Ronaldo ganhou a Messi. Ainda por cima, com onze golos à mistura.
1 - O cenário doméstico não acrescentou muito ao que vinha de trás. Com as vitórias (claras) de FC Porto e Benfica, confirmou-se apenas que a derrapagem do Braga atrasou mesmo a equipa minhota. No Dragão e na Luz, cadências diferentes, mas desfechos quase idênticos, justificados pela superioridade inequívoca das equipas da casa.
Hulk voltou a ser determinante no triunfo dos dragões, o que demonstra que o brasileiro, na sua condição normal, é o "motor de explosão" que pode resolver qualquer problema. Depois de uma primeira parte em que o FC Porto não esteve num plano exigível a um candidato que quer impôr-se (teve praticamente as mesmas oportunidades que o Beira Mar), entrou no segundo tempo de forma arrasadora, com dois golos em menos de dez minutos. E a partir daí a contabilidade até podia ter subido bastante mais. O FC Porto ficou a dever mais dois ou três a si próprio.
O Benfica, por seu lado, entrou na partida de forma demolidora. Perante um Marítimo que parecia andar completamente perdido perante a avalancha daqueles 20 minutos iniciais, os encarnados marcaram por duas vezes e ficaram muito mais tranquilos. É verdade que a entrada de Benachour e Fidelis, na segunda parte, deu outra cara aos madeirenses, que provocaram alguns sustos (muito bem resolvidos por Artur) e até conseguiram reduzir. Só que, a recomposição operada por Jorge Jesus , com o lançamento de Javi Garcia e Rodrigo, fizeram o jogo regressar à "normalidade" anterior. Daí até à goleada foi um passo.
Interessante registar que o técnico da Luz, desta vez, recorreu a uns quantos nomes que secundarizou durante boa parte da época. Ter como titulares Capdevila, Matic, Nolito (exibição notável) e Saviola (uma lição permanente sobre como se deve ler o jogo) num mesmo desafio é coisa rara. Que cada um tire as suas conclusões. 
2 - O tal "jogo do ano" ficou abaixo das expectativas, do ponto de vista do espectáculo. Mas isto nem é o que mais interessa. Importante mesmo é que o Real Madrid foi a Barcelona ganhar aquele que talvez tenha sido o desafio mais marcante da carreira de José Mourinho em Espanha, pois é bem possível que a questão do título tenha ficado encerrada. E, praticamente, carimbar a conquista do campeonato no terreno da "armada invencível" de Guardiola é uma daquelas estocadas que os catalães jamais vão conseguir esquecer.
O Real foi suficientemente cínico, adoptando uma atitude bastante diferente do que tinhamos visto noutros momentos. O princípio resumiu-se a isto: se Messi não tiver espaço, se a posse de bola do Barça não puder desdobrar-se nos raids do costume, se o contra-ataque for aproveitado q.b.(principalmente por Ronaldo e Ozil), então, há boas hipóteses de atingir o objetivo. E entenda-se por objetivo não ser derrotado na Catalunha. Por este lado, o opção estratégica de Mourinho bateu certa.
Por outro lado, Guardiola cometeu alguns lapsos que lhe sairam caros. Desde logo a utilização de Tello (não, para aquele jogo não dava) e Dani Alves nas alas, com um trio de defesas lá atrás, encostando Puyol à direita. Como se isto não bastasse, Messi foi bloqueado e nunca conseguiu libertar-se em condições, e até Xavi errou passes num número incomum para aquilo que, normalmente, é aceitável num jogador de elite como ele é.
Desta vez, os merengues atalharam nos momentos cruciais. O golo de Khedira, ainda antes do 20 minutos, constituiu um violento murro no estômago nas intenções do Barça, e a resposta letal de Ronaldo, logo a seguir ao empate, liquidou o jogo. No primeiro caso, o Real ficou com a possibilidade de gerir a partida segundo os seus interesses; no segundo, reduziu a pó o empolgamento que poderia advir da entrada fulgurante de Sanchis. Mais eficaz do que isto era impossível.
Em resumo, Ronaldo ganhou a Messi o duelo que mais contava, e Mourinho prepara-se para ser campeão em Espanha. Com o título "confirmado" onde ele mais queria, para que também ficasse na História que este Real ganha a todos, Barcelona incluído.

tsf.pt



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