O fim de uma era - Paulo M. Guerrinha
Sábado, 28 de Abril de 2012
O Barcelona perdeu Pep Guardiola. Terminou a era que tornou o Barcelona naquilo que para muitos é a melhor equipa do mundo. Pep sai desgastado e para este facto muito contribuiu a luta dada por Mourinho que esta época, a segunda na liga espanhola aos comandos do Real Madrid, conseguiu assegurar a conquista do título.
Mas este argumento acaba aqui já que nem o Barcelona, nem o Real Madrid conseguiram chegar à final da Liga dos Campeões.
Guardiola conseguiu pegar nos recursos do Barcelona e criar um
estilo de jogo vencedor. Mas o formato parece ter esgotado e agora deixa
o lugar para o seu adjunto. Caberá a Tito Vilanova aguentar o peso do
que aí vem. Até quando?
O Barcelona habituou os adeptos a vencer e Pep conseguiu manter uma
postura bem recebida por todos, mesmo nos momentos de derrota.
Perante os jornalistas, numa conferência que durou mais de uma
hora, Guardiola, Zubizarreta (diretor desportivo do Barcelona) e Sandro
Rosell, responderam a tudo o que havia para responder. Algo que em
Portugal é, nos dias de hoje, uma impossibilidade.
A presença dos jogadores na sala ilustra bem a influência de Pep
Guardiola no plantel e acaba por justificar também o título de melhor
treinador de sempre do Barcelona.
Fazer melhor será difícil e também por isso Vilanova terá aos ombros o peso desta herança. Um peso difícil de digerir.
Exemplo disso é Vítor Pereira que foi chamado a substituir Villas
Boas no ano seguinte aos dragões terem conquistado quase tudo o que
havia para vencer. A tarefa não foi fácil e o treinador acabou por se
desgastar perante os adeptos e opinião pública, devido às constantes
comparações com aquilo que o FC Porto poderia alcançar.
Salvaguardadas as distâncias na comparação, nunca é fácil
substituir uma figura tão marcante e cabe agora a Vilanova encontrar o
seu estilo e conseguir manter o Barcelona no caminho das vitórias.
Falhar neste objectivo irá obrigar Rosell a recorrer ao plano B.
Contratar um novo treinador, uma figura nova que consiga reunir à sua
volta os adeptos e jogadores.
Um adjunto, por muito que queira, está sempre no papel complicado
de apoiar o treinador e fazer a ponte com o balneário. Ao subir na
hierarquia, e mantendo-se os mesmos jogadores, é preciso saber fazer
esta cisão na relação. E não será fácil quando estamos a falar de
algumas das maiores estrelas do futebol mundial.
A saída de Guardiola é o fim de uma era que ficará para sempre na história do futebol.
sapo.pt
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