Sonho adiado - Mário Fernando

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Depois do desafio de Londres, mais se vincou a ideia de que foi em Lisboa que o Benfica deixou escapar a qualificação para as meias-finais da Liga dos Campeões. Em Stamford Bridge, a equipa portuguesa esteve à altura da missão, chegou a dar cartas, mostrou não desistir em qualquer circunstância, mesmo sem um único defesa central de raiz em campo e mesmo só com dez durante quase uma hora. Bateu-se dignamente até ao fim, tentando ultrapassar as adversidades que lhe foram surgindo no caminho. Colocadas pelo Chelsea e não só.

Jorge Jesus teve de "inventar". Só que as maiores preocupações que derivavam das mexidas forçadas na equipa encarnada, acabaram por não ter grande consequência. Emerson cumpriu o que se lhe exigia enquanto central (ironicamente, esteve melhor naquele lugar do que costuma fazer quando alinha na lateral esquerda) e Matic cotou-se como a figura de maior relevo no meio-campo (e na equipa), principalmente quando o Benfica ficou reduzido a dez e o técnico foi obrigado a recorrer a um 4x1x3x1. Fez o trabalho dele e o dos outros, assumindo-se até como elo de ligação entre setores. Uma noite em cheio. Curiosamente, foi Javi, o mais fiável, quem se esqueceu que certas faltas na área não são punidas de forma idêntica à de outras zonas do terreno.

O Chelsea pensou que seria uma boa ideia gerir a vantagem que levara da Luz. Deixou, voluntariamente ou não, que o Benfica pegasse no jogo e o facto é que os encarnados aproveitaram bem a opção do adversário. Aqueles 20 minutos iniciais - e até depois do 1-0 - mostraram uma equipa encarnada sem grandes hesitações quanto ao que pretendia. Mais pelo corredor esquerdo, com Gaitan em andamento acelerado, menos pela direita, pois Bruno César não rendia de forma igual e Maxi estava mais preocupado com Kalou.

A expulsão de Maxi teve reflexos contraditórios no resto do jogo. À beira do intervalo, poder-se-ia esperar um colapso do Benfica, que já tinha a tarefa titânica de tentar marcar dois golos. Afinal, nada disto aconteceu, pelo contrário, a segunda metade do desafio redundou numa demonstração de personalidade da equipa encarnada. Apesar dos calafrios provocados pela colocação de Witsel na lateral direita (bem explorada pelo Chelsea, com Kalou, Torres e Mata a disporem de ótimas oportunidades para marcar), a verdade é que a equipa de Jorge Jesus respondeu à letra e, também ela criou as suas possibilidades de concretizar. Várias.

De resto, por estar a pensar já na partida de Alvalade ou por pretender refrescar a linha atacante (ou as duas coisas), Jesus retira Cardozo, Gaitan e Bruno César e lança na partida Nelson Oliveira, Djaló e Rodrigo. Certamente não por coincidência, o crescendo ofensivo do Benfica foi notório e culminou com o empate. Foi insuficiente, embora, nos últimos minutos, o sonho "impossível" estivesse apenas a um golo de distância. Durou até aquele contra-ataque em que Meireles arrumou o assunto.

Uma referência ainda para a arbitragem. Má. Pondo de lado a questão da grande penalidade de Javi Garcia (incompreensível foi o penálti de Terry, na Luz, não ter sido assinalado), o problema não esteve na ação disciplinar em relação aos jogadores encarnados. Esteve, sim, na distração do árbitro com aquilo que os jogadores do Chelsea andaram a fazer, que foi igual ou pior. Exemplos : Mikel, Lampard e Mata. E é este desequilíbrio nas sanções que não pode aceitar-se numa prova como a Champions, porque aqui o grau de exigência é absoluto para toda a gente. Luis Filipe Vieira "atirou-se" a Platini e espera que a FPF bata o pé à UEFA em função do que sucedeu nos dois encontros da eliminatória, mas ele sabe - como nós - que tal não vai acontecer. As coisas não funcionam assim.

tsf.pt



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