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A diferença? O detalhe cirúrgico de um predador de área - Bruno Prata

Segunda-feira, 11 de Junho de 2012

1. Um detalhe cirúrgico de um predador de área que já tinha recebido ordem para sair do relvado deu a vitória que a Alemanha fez por merecer nos primeiros 45 minutos. A Portugal, já se sabe, custa-lhe encontrar a baliza. Mas a selecção nacional pagou também o absentismo e o jogo espesso de um primeiro tempo em que, curiosamente, até teve a melhor oportunidade de golo. Depois, urgida pela necessidade, revigorou-se. Tudo somado, ganhou quem fez mais por isso. Ganhou quem teve mais tempo a iniciativa, perdeu quem andou muito tempo na expectativa. Ganhou quem, na maior parte do tempo, preferiu a organização à transição.

2. A Alemanha seguia com 16 jogos sempre a marcar e não era previsível que ontem acabasse em branco. Por isso, impunha-se a Portugal outra eficácia finalizadora. Houve falta de fortuna (bolas no ferro de Pepe e Nani), a classe de Neuer (principalmente num remate mentiroso de Ronaldo), mas também alguma inépcia finalizadora, principalmente de Varela. Do ponto de vista do ataque, correram muito mal as transições ofensivas no primeiro tempo, quando a maioria dos passes de rotura saiu torta ou no tempo errado.

3. Portugal passou pelas piores penas enquanto Miguel Veloso não percebeu que não devia acompanhar Özil quando o “Nemo” caía nas faixas (principalmente na esquerda). Porque, nessa circunstância, Podolski aproveitava para fazer o trajecto inverso e para receber a bola sempre em situações perigosas. No restante, Portugal até foi conseguindo manter-se uma equipa equilibrada e bem posicionada, até porque Meireles e Moutinho encaixavam bem no duplo pivô da Alemanha. A única excepção aconteceu no lance do golo, mas também é justo observar que Pepe ficou desposicionado e fora do lance em resultado de o cruzamento de Muller ter sofrido um desvio em João Moutinho. Depois, claro, o 1,72 m altura de João Pereira não chegou ao 1,90m do bombardeiro do Bayern de Munique.

4. Um instante de jogo, um detalhe simples, transformou o curso do jogo. Até ao golo de Mario Gomez, a Alemanha tinha feito muito barulho na área de Rui Patrício, dava a sensação de perigo permanente, mas era falso alarme na maioria das vezes.

5. O jogo começou a correr mal a Portugal mesmo antes dele começar. Porque Joachim Löw provou ter estudado bem o adversário e fez as escolhas que claramente melhor defendiam os seus interesses. Preteriu a experiência e a estatura de Mertesacker para dar o lugar ao jovem Hummels, que é já um dos melhores centrais do mundo e que foi quase sempre o responsável pela saída de jogo dos germânicos. Não abdicou de Schweinsteiger, cuja experiência e intensidade de jogo estiveram na base do ritmo torturador nalgumas fases da primeira parte. E, claro, não fez a vontade aos jornalistas alemães que pretendiam que Klose apagasse as 34 velas no relvado, preferindo começar com sete homens do Bayern de Munique.

6. Paulo Bento também fez o que se impunha e até mostrou que queria ganhar o jogo quando foi o primeiro a mexer e tentou um efeito-surpresa com a aposta em Nélson Oliveira. Depois, a perder, recorreu a algo que já tinha testado: entrada de Varela e Nani a funcionar como médio interior. A posse de bola, ao intervalo era de 61% para os alemães, ficou mais repartida e o tudo o resto também. Mas foi então a vez de a Alemanha impor a superioridade das suas tropas defensivas.

publico.pt



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